Minha vida profissional na hotelaria começou quando ingressei no curso de Técnico em Hotelaria do Hotel Escola SENAC de Águas de São Pedro, pois me identifiquei com a área e no decorrer do tempo fui me aperfeiçoando, especializando, implantando dezenas de Empreendimentos de diversos padrões, conceitos e tamanhos. Nunca parei de aprender e empreender.
O conceito dos cursos do SENAC na época era o de ensinar pelo exemplo e com isso tínhamos quatro horas de aulas teóricas de segunda á sexta e durante seis dias da semana tínhamos que trabalhar realmente nos diversos departamentos do Hotel praticando e aprendendo com a realidade, onde o contato direto com os Hóspedes nos impunha duas opções: dedicar de coração ou desistir do curso. As cobranças e exigências eram de padrão internacional, tanto que vários formandos e desde os cursos de formação básica, como garçons e cozinheiros, eram disputados pelo mercado após a formatura.
Tive a honra de ter professores e monitores de qualidade e que realmente honravam a responsabilidade que lhes era exigida: formar profissionais pelo Exemplo e Conhecimento.
Tenho participado como palestrante e como ouvinte em Eventos e Cursos no decorrer desses 33 anos de profissão e me deparado com uma situação e estágio profissional atual, que me fazem repensar e até filosofar. Os profissionais que estão no mercado, principalmente os mais jovens, possuem uma formação profissional teórica e conhecimentos superficiais, em sua maioria. A formação nas Escolas tem piorado muito há uns 15 anos e a prática deixada de lado em detrimento da teorização exagerada, terceirizando ás Empresas á partir da contratação do futuro profissional, a obrigação de ensinar, adestrar e até educar para profissão, sob pena de não termos pessoas para o trabalho.
A consequência disso é que qualidade do atendimento, no mais amplo sentido da palavra, e os salários cada vez mais baixos. Não é só a crise econômica que tem achatado os ganhos dos profissionais da hotelaria e gastronomia, mas a falta de qualidade profissional disponível e a má fé de certas Empresas. Salários horríveis sendo propostos e a nomenclatura dos cargos alterada, sem o menor pudor e honestidade, porém com as mesmas e até maiores exigências e responsabilidades.
Pessoas sendo contratadas para funções gerenciais e de supervisão com uma formação técnica e profissional, nitidamente superficiais, isso para não dizer “pasteurizadas”…
Cursos rápidos de uma semana ou menos, vendem a ideia de que após a conclusão os alunos serão especialistas e como num passe de mágica se tornarão referências. Vejo coordenadores de alimentos e bebidas cujo currículo apresenta como experiência apenas dois anos como garçom ou atendente. Pra complicar tenho visto pessoas que tiveram uma formação profissional genérica, ingressaram no hotel como recepcionista, depois foram pra reservas e hoje são intitulados Coordenadores de Alimentos e Bebidas, mas não conhecem planejamento de cardápio, gestão de custos com qualidade e tão pouco podem dar o exemplo, pois ninguém dá o que não tem.
A exigência dos consumidores caiu em virtude da falta de dinheiro e da falta de educação familiar, mas a responsabilidade das Empresas nesta superficialidade é muito grande. Pensam apenas em vender e faturar e depois do dinheiro colocado no bolso, a sua excelência o Cliente passa a ser considerado chato e metido se exige o que comprou, frustrando muitas e muitas vezes as férias da família e o eventos das Empresas.
Espero que melhores dias cheguem e a citada superficialidade, como também mania de dizer “eu acho”, sem saber nada, se transforme em exceção, deixando de ser regra cantata em prosa e verso.
Vamos em frente!
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